05 de fevereiro de 2013

Review: “Ni no Kuni: Wrath of the White Witch”

Por: POP Games


Em uma época  em que RPGs japoneses possuem uma carência de personagens carismáticos e que chamem atenção dos jogadores, é preciso dar valor quando surgem títulos que realmente valham a pena. Os RPGs de hoje em dia, mesmo sendo bem conhecidos e relativamnte bem distribuidos, como “Final Fantasy XIII”, não possuem uma história tão bem explorada e um herói que faça o jogador sentir vontade de chegar ao final. Tudo isso é diferente com “Ni no Kuni: Wrath of the White Witch”.

Já lançado para o Nintendo DS em dezembro de 2010, “Ni no Kuni” ganhou uma versão para o PS3 no final de janeiro, estreando no ocidente. O jogo utiliza todo o poder do console da Sony mostrando uma história comovente.

Ao contrário de tantos outros RPGs atuais que usam personagens claramente vistos como heróis, em “Ni no Kuni” você controlará Oliver, um simples garoto que mais parece coadjuvante da história. É, parece a velha história do “herói de raízes humildes que se descobre o grande salvador” que povoa tantos jogos do gênero, mas aqui isso é bem literal.

A aventura começa com Oliver, um garoto que vive em uma cidade nos moldes da década de 50 nos EUA. Lá, ele ajuda sua mãe nas tarefas domésticas, vai buscar leite e outras coisas, algo comum para alguém que deve ter em torno de 10 anos.

Tudo está normal até que sua mãe morre em acidente para salvar o garoto. Após isso, Oliver cai em agonia ao se sentir sozinho no mundo. No momento em que chora e chama pela mãe, um de seus brinquedos ganha vida e oferece uma proposta: “me ajude a salvar meu mundo e poderemos trazer sua mãe de volta à vida”. Este boneco se chama Drippy, e será seu guia em meio a perigos, momentos engraçados e drama durante a aventura.

O mundo fantasioso de Drippy é rico em detalhes e cores. Para começar, até mesmo uma simples floresta é cheia de vida e com uma movimentação tão natural que é um prazer explorá-la em busca de items e novos inimigos.

Por usar um visual estilo cel-shading, “Ni no Kuni” por muitas vezes parece mais uma animação do que mesmo um jogo, isso é devido ao excelente trabalho dos Studio Ghibli e da Level-5, famosas pelo estilo. As animações são de um nível que há muito tempo não via em jogo, abusando de temas simples e tornando-os algo fantástico.

A jogabilidade de “Ni no Kuni” é inicialmente bem simples, porém cheia de detalhes. Por Oliver ser um mago no mundo de faz-de-conta, o jogador terá que usar magias em diversos momentos para abrir baús, atravessar pontes, congelar pedras para alcançar novos locais e por aí vai. Parte dessas magias são só para o ambiente aberto do jogo, mas também existem aquelas para batalhas.

Batalhas serão uma atividade mais que inevitável durante toda a aventura. Nelas o jogador irá controlar Oliver ou um de seus aliados, que por sua vez possuem a habilidade de carregar três Familiars para ajudarem em combate. Estes Familiars são monstros capturados no campo e que podem ser usados como ajudantes, no maior estilo “Dragon Quest” ou “Pokémon”.

Clara inspiração na franquia de monstrinhos da Nintendo, os Familiars possuam seus próprios golpes, habilidades, status e até mesmo evoluções, tornando-os um dos principais atrativos do jogo. Será necessário selecionar bem quem será seu ajudante e para quem será distribuido para oferecer um equilibrio de habilidades, como cura, ataque físico, magias elementais e etc.

Não importa quem será controlado na batalha, ou um Familiars ou algum companheiro de Oliver; será possível controla-lo livremente na arena e depois selecionar a ação que será desferida contra o inimigo - tudo em tempo real. As lutas se tornam um ambiente bem dinâmico, principalmente contra chefes, em que será comum ver Familiars e personagens soltando magias em todo canto da tela.

No início é difícil se adaptar com as batalhas. Pode parecer bem confuso e cheio de coisas a fazer ao mesmo tempo, o que não o torna normalmente um problema, mas sim algo que exige mais atenção. Uma coisa fica clara logo de início: lute apertando o botão de “confirmar”, e você será morto rapidamente.

A trilha sonora de “Ni no Kuni” faz jus à aventura, coisa que faz  até mesmo o jogador mais sério a escorrer alguma lágrima em meio a momentos críticos e tão comoventes da saga. Assinada por Joe Hisaishi – compositor do Studio Ghibli – e com participação da Tokyo Philharmonic Orchestra, as canções se encaixam em todos momentos da trama.

Embora todo o jogo tenha sido todo dublado, a voz de Oliver acaba desapontando pela falta de expressão. Tudo isso é o oposto da performance de Drippy. O boneco guia possui um sotaque adorável e certamente fará o jogador se sentir confortável, mesmo quando estiver enacarando um dragão cinco vezes maior que seu personagem.

Entre um calabouço ou outro, Oliver também poderá cumprir tarefas para diversas pessoas em cidades que buscam ajuda em alguma coisa, como por exemplo um ingrediente para sua poção milagrosa. Quando concluída, você será recompensado com selos que por sua vez podem ser trocados por novas habilidades. Existem coisas como andar mais rápido, usar o circulo para pular e até mesmo aumentar as chances de um ataque surpresa. Mas já fica aqui um aviso: as habilidade nem sempre são tão úteis. No começo do jogo, por exemplo, você tem a opção de adquirir a possibilidade de saltar, o que, além de um aumento marginal na velocidade dos personagens, não traz qualquer benefício extra.

Todas essas quests aumentarão considerávelmente o fator replay do título. Para obter todas os items, habilidades e equipamentos necessários, será preciso dedicar algum tempo para completar as tarefas fora do foco principal da história.

“Ni no Kuni” abre 2013 em belissímo estilo, e é um dos melhores (senão melhor) RPG que já joguei em anos. Ele demonstra que o gênero ainda está vivo, e ainda tem muita lenha para queimar.

Poderia ficar horas adicionando adjetivos para ele e mesmo assim não seria o bastante para demonstrar quanto este título é bom. Realmente gostei da trama e mais ainda pelo estilo cinematográfico desenvolvido pelo Studio Ghibli, famosa por filmes orientais como “A Viagem de Chihiro”. Se já não bastasse este estúdio, a Level-5 também colaborou para a criação do jogo.

Este é um jogo que teria o prazer de apresentar para todos os estilos de pessoas do meu convívio, desde minha mãe a até mesmo aquele meu amigo mais prefere jogar “Call of Duty”. Falo isso porque a essência do jogo acaba conquistando o jogador de uma forma que você fica curioso em saber seu desfecho.

No momento estou nas 40 horas de jogo, mas sinto que serão preciso pelo menos mais 15 para terminar-lo e conseguir ver o final da saga de Oliver em busca de sua mãe. Já aviso desde já: se você é aquele jogador que quer platinar seus jogos, acho bom reservar pelo menos 80 horas de sua vida, mas que farão valer a pena cada segundo.

Plataformas: PS3
Produção: Namco Bandai
Desenvolvimento: Level-5 e Studio Ghibli

Gráficos: 9,5
Sons: 9,5
Replay: 8
Jogabilidade: 8
Diversão: 9

Nota Final: 9,5